sexta-feira, 18 de março de 2011

Eram aí seis da tarde. A brisa aromatizada que chegava desafiava a uma corridinha atrás das gatas pelo meio dos campos floridos, mas há muito que D. Bonifácio de Calatrava deixara de ser o que era. Ao menos se não fosse esta artrite ou se a minha silhueta não se assemelhasse a uma pipa de vinho...
Só me resta espreguiçar-me o dia inteiro à sombra e imaginar-me a correr pelos campos aos ziguezagues, por entre as novas formas de vida que a Primavera traz, enquanto oiço o canto dos pássaros que de mim fazem troça o dia todo. Oxalá pudesse correr atrás deles.
Só me resta esperar pelas horas da refeição (os pontos altos dos meus dias) e ter cuidado para não rebolar ladeira abaixo.
Bob, 11.º A

Maria Eduarda

Abri o portão e deparei-me com a minha esbelta Deusa, Maria Eduarda, de chegada.
O sol irradiava um forte clarão de luz nos seus loiros, sedosos e ondulados cabelos, deixando em seu torno uma aura angélica.
Deixava no ar um aroma a rosas com pétalas de sangue que me encantava profundamente.
Como sempre trazia um vestido escuro, não de tecido caro, fino e requintado, mas sim comum e com um decote bastante simples. Era sedoso e, ao cair-lhe nas longas, esbeltas e perfeitas pernas tinha um efeito ondulante como as ondas do mar quando estão calmas.
A sua cadelinha, Mimi, dormia nos seus intermináveis braços de mármore recebendo suaves carícias na cabeça.
Os seus botins eram de um cabedal cinza brilhante como as nuvens em tempo de tempestade. Tal pensamento despertou bastante a minha atenção, fazendo mover automaticamente o meu olhar de novo para a sua face. Esta estava rígida, melancólica, triste e com uma expressão de desagrado. Rapidamente percebi que tal desagrado e tal descontentamento se deviam ao ambiente em seu redor.
Aproximei-me dela, dei-lhe a mão e senti um gelo polar a correr-me por todo o corpo. Tirá-la dali para um local acolhedor e quente era o meu desejo.
Daniela Santos e Rute Azenha, 11.º B

Decrepitude

Constava que esta vivenda pertencia ao senhor Carlos da Maia, homem que Dâmaso achava "chique a valer". O ranger dos portões, quando o vento soprava, lembrava-lhe uma das mais belas sinfonias de Paris. Os longos e sinuosos caminhos do jardim igualavam-se às curvas das belas francesas que adorava.
Uma casa tão bela só poderia pertencer a Carlos da Maia, pensou. Aquele homem único, formado em Medicina e não em Advocacia como todos os outros, inteligente, um príncipe da Renascença. Os seus olhos eram uns apetecíveis grãos de café mergulhados em leite. Em tudo Dâmaso o admirava.
Enquanto olhava para aquela sinistra e decadente , mas diferente, mansão Dâmaso pensou nos corações que Carlos deixara partidos, tal como as telhas daquela moradia, envoltas num verde húmido e esmeralda. Os fortes e robustos muros da casa eram as fortalezas intrespassáveis daquele magnífico castelo.
Tanta decrepitude revelava imensa originalidade e espírito inovador, que, ao mesmo tempo, lhe lembrava os castelos antigos que ele venerava.
Ana Saltão e Sara Costa, 11.º B

O "laboratório" de Carlos da Maia

Foi nessa noite de luar em que se ouviam os lobos a uivar do cimo da grande montanha que segui o meu neto, o meu inteligente neto, Carlos, que ia na sua bicicleta, muito apressado, como se estivesse assustado. Levava uma cesta que parecia ser pesada. Desconfiado, decidi segui-lo. Aquele corajoso rapaz deveria estar a tramar alguma.
Fui a pé para que não me ouvisse. Ao chegar, encostou a bicicleta com muito cuidado ao muro verde de musgo, para que não fizesse barulho. Pé ante pé, rodou muito devagar a maçaneta da porta ferrujenta da chuva, e ao empurrá-la ouviu-se um chiar muito forte que, de súbito, assustou os morcegos adormecidos nas telhas quebradas daquela casa que parecia estar abandonada e assombrada.
Escondi-me atrás de um grande arbusto, para que não me visse, sem fazer muito barulho. Ouvia-se apenas o estalar de algumas folhas, mas Carlos já tinha entrado. No meio da escuridão daquela casa assustadora, o meu neto acendeu uma vela que lá havia para iluminar o que quer que fosse que ia fazer. Esperei horas a fio, era quase meia-noite e eu continuava ali à espera para matar aquela curiosidade que pairava na minha cabeça. Passadas muitas horas finalmente saiu, já sem a cesta. Esperei que pegasse na bicicleta e assim que se foi embora tive a oportunidade de entrar. Enchi-me de coragem e empurrei muito devagar aquela porta que chiava ensurdecedoramente. Muito sorrateiro, entrei naquela habitação inabitável, com um odor insuportável a sangue (parecia-me a mim). Ouvi qualquer coisa a mexer. Rápido, levei a mão ao bolso para retirar o meu isqueiro prateado e procurei a vela que o Carlos tinha acendido. Muito apressadamente, consegui iluminar aquela sala enorme e perceber que o barulho que ouvira era de uma ratazanas que ali andavam à procura de algo para comer. Foi então que olhei para cima e vi filas de animais pendurados, com a barriga aberta, daí todo aquele cheiro a sangue. Aquele meu neto era realmente um amante da ciência.
Observei tudo o que havia naquela casa: carneiros, bezerros, cães, gatos, galinhas, ratos, rãs, lagartos,... Tudo ali havia. Foi então que ouvi:
- O que está aqui a fazer? Bem que ouvi barulhos enquanto vinha para cá, Sr. meu avô! - Era Carlos, tinha-me apanhado no seu local de trabalho, ou poderei dizer, no seu esconderijo.
Cristiana Rebelo e Nuno Teles, 11.º B

quinta-feira, 3 de março de 2011

Nós humanos


Nós humanos com dois milhões de anos de existência mudámos a Terra em apenas sessenta mil anos. As nossas características de visionários, empreendedores, controladores permitiram-nos mudar o mundo à nossa volta.
No princípio da espécie não éramos mais do que primatas que andavam em quatro patas e respondiam a estímulos naturais. Com o passar dos tempos começámos a evoluir e a pressentir a necessidade de mudar. Era tempo de controlar o ambiente à nossa volta para que este deixasse de ser hostil. Começámos por viver em comunidade para nos defendermos melhor, para criarmos laços afectivos que permitissem a sobrevivência da espécie. Depois desenvolvemos e dominámos o fogo para afastar os predadores. Em seguida, domesticámos animais selvagens, ficámos sedentários, desenvolvemos a roda, a balística, o sistema de vias de mobilidade. Enfim, houve uma explosão de invenções que nos permitiram ser quem somos hoje e viremos a ser amanhã.
Para além das invenções, nós humanos, para dominarmos o planeta tivemos que descobri-lo. Inicialmente parecia uma ideia impossível. Os oceanos, colossalmente grandiosos. As terras, demasiado extensas. Os céus, inalcançáveis.
O fardo dos oceanos coube a um povo, de gente corajosa e destemida, sem medo de morrer, eivada de espírito de aventura. Esse povo era o Português. Descobrimos o Brasil e o caminho marítimo para a Índia. Na minha opinião terá sido o mais pesado fardo dos três: partir à aventura por mares desconhecidos, sem garantias de voltar a casa ou sequer de descobrir fosse o que fosse.
Os céus foram conquistados à custa da electrónica e da informática, ou seja, à custa das máquinas e do intelecto.
As extensas planícies do nosso planeta foram conquistadas à custa do sedentarismo dos povos que se iam fixando nalguns lugares, adaptando-se a eles.
Por tudo isto, se o seu sonho é ser um grande Português, parta à descoberta de um grande oceano, conquiste-o e saia da rotina e do conformismo. Viva o seu sonho e seja o orgulho da grande nação que outrora teve metade do mundo nas mãos.
Filipe Marques, 12.º B

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Variações sobre o retrato de Dorian Gray


Olhava-me ao espelho. O meu corpo mudara drasticamente nos últimos vinte anos. Não só o meu corpo, mas também as expressões da minha face. O que antes era alegre, jovem e feliz, transformara-se completamente e tornara-se triste, velho e deprimido. Completamente deprimidos tinham sido estes últimos vinte anos. Toda a minha jovialidade tinha murchado como as pétalas de uma rosa que o tempo secara. Tinham sido dias tristes.
Olhava o quadro, o quadro de família, aquele retrato de família alegre, que com o passar do tempo se tornara cada vez mais sombrio. Este quadro suscitava-me memórias e sentimentos que eu desistira de explorar.
Hoje, sozinha, olhava em redor para a sala que me vira nos meus dias mais felizes. Esta sala tenebrosa consumira-me a alegria. Já não conseguia sorrir, expressar uma palavra. Vinte anos de silêncio e solidão consumiam-me por dentro.
Olhei novamente o quadro. "Se ao menos pudesse viver sempre neste momento", pensei. "Se eu pudesse ser sempre jovem. Se o quadro envelhecesse!... Por isso, por esse milagre eu daria tudo. Gostava de poder trocar a realidade do quadro com a realidade actual. Que vivesse para sempre como no quadro, e que apenas a realidade actual envelhecesse, presa naquela moldura".
Olhei em redor, dei um último suspiro e sorri. Pensei no que mais queria que acontecesse. No meu desejo mais profundo. Com a faca que tinha no colo, a minha companheira de vinte anos. Coloquei um fim à minha solidão, e corri ao abraço da família que me esperava.
Ana Saltão, 11.º B

Hoje, sentada nesta cadeira de baloiço, no meio do alpendre, olho o lindo jardim, cheio de tulipas, rosas, malmequeres e margaridas, num belo dia de Primavera. Nunca conseguiria escolher uma visão melhor para os meus últimos dias!
Estive hospitalizada no início deste mês, com uma doença terminal, e decidi pedir aos médicos para me darem alta e me deixarem passar os últimos dias aqui, na minha casa de infância.
Agora olho para as flores e lembro-me de quando costumava apanhá-las para as dar à minha mãe, ao meu pai, aos meus avós... A quem as aceitasse. É a altura da vida em que todos merecem dizer: "Sou feliz!"
Virei a cara, deixei o meu olhar atravessar a porta aberta e fixar-se num dos cantos da sala. Aquela divisão estava cheia de quadros e fotografias de todos os membros da família, mas apenas um dos quadros me chamava mesmo a atenção. Um quadro meu e dos meus irmãos a brincar no jardim. Quem me dera voltar atrás no tempo, voltar àquele momento de brincadeiras de felicidade...
Mas nada dura para sempre e agora o meu tempo está a acabar... "Se eu pudesse ser sempre jovem, se o quadro envelhecesse!... Por isso, por esses milagre eu daria tudo!"
Sara Costa, 11.º B

Passaram anos e anos. Todos eles se tinham separado mas sempre guardaram recordações de tempos passados.
Foi sempre um pouco distante de todos os outros, andava sozinho e não conversava com ninguém. Chegaram a chamar-lhe esquisito mas nunca se importou com o que pensavam e diziam dele. Encontrava-se sempre de lápis e papel na mão, sentado nas escadas a desenhar aquela rapariga, aquela perdição, a sua razão de viver... Observava-a com a maior das atenções, desenhava todos os seus traços ao mais pequeno pormenor. Olhava-a por cima dos seus óculos grossos, com aqueles olhos azuis enormes. Não tinha tido a coragem de iniciar conversa com ela. Sempre que a via as suas mãos e as suas pernas tremiam, os seus olhos brilhavam.
Chegara o dia em que finalmente tinha tomado coragem para o fazer. Desceu as escadas, por instantes parou... Observou-a... Riu-se e partiu em direcção a ela. A vergonha era muita, as palavras não saíam, as suas mãos suavam descontroladamente. Por fim, uma força interna fê-lo falar. Cumprimentou-a, por entre pausas, perguntou-lhe se podia desenhá-la. Ela sorriu, e num tom carinhoso disse-lhe que sim. Ele pediu-lhe que sorrisse e se mantivesse assim por alguns instantes.
No fim, ela pediu-lhe para ver o seu trabalho. Observou-o com imensa atenção, depois hesitou algum tempo e, com um brilho intenso no olhar, disse-lhe: "Se eu pudesse ser sempre jovem. Se o quadro envelhecesse." Ele olhou-a com um olhar terno, agarrou-lhe na mão com a maior das delicadezas e respondeu-lhe: "A tua beleza permanecerá intocável com o passar do tempo." Ela fintou-lhe o olhar e num impulso deu-lhe um beijo na cara. Agradeceu-lhe o elogio, pegou nos seus pertences e abalou.
O rapaz permaneceu imóvel. Os seus grandes olhos azuis brilhavam, e sem que o conseguisse controlar, caiu-lhe uma lágrima...
Estava agora sentado na sua cadeira de baloiço à porta de sua casa. Tinha consigo um álbum de fotografias. Relembrava tempos passados e a sua mão permanecia sobre a fotografia de uma bela jovem. Os seus olhos encheram-se de lágrimas e por entre soluços afirmou: "Por isso, por esse milagre eu daria tudo..."
Cláudia Marques, 11.º A

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Heróis

A maior qualidade da Humanidade é talvez o seu inconformismo. Nunca os homens se contentaram com boas condições, climas favoráveis ou alimentos fáceis e foi assim que conquistaram o mundo. Há muitos milhares de anos, quando os homens (ou os seus directos antecessores) deixaram África, o berço da Humanidade, adaptaram-se a novos ambientes, a meios nunca antes vistos e povoaram (quase) a terra inteira.
Nos séculos XV e XVI também os portugueses se não conformaram com este rectângulo à beira-mar plantado e partiram para a re-descoberta do globo. E foi um feito fenomenal o desses homens que se meteram em barcos de madeira de vinte e cinco metros de comprimento e partiram, sem garantias de regresso. O que ficou dessa aventura? Placas com nomes de ruas em mandarim e português nas praças de Macau? O cavaquinho minhoto como instrumento musical tradicional havaiano? Pessoas com Silva e Ferreira como apelido no Uruguai? Não só. Acredito que tenha ficado mais que isso. Muito mais que isso. Talvez a nossa maneira de viver, o espírito aventureiro português, que hoje estão tão diluídos, ainda perdurem noutros povos do mundo.
Gustavo Galveias, 12.º A

Para revelar todas as suas potencialidades, o ser humano precisa de entrar em si. Ao entrar em si, consegue ter conhecimentos das suas fraquezas, dificuldades, pontos fracos, o que só por si já exige grande esforço. Através do auto-conhecimento podemos ainda ter acesso aos nossos limites e, a partir daí, tentar superá-los.
É nesta base que se cria um herói, um espírito que se destaca, uma personagem tomada como modelo de superioridade.
Os descobrimentos de povo português são um exemplo de um acto heróico e de coragem. Foram pessoas que lutaram pelo orgulho colectivo de um país que, agora, graças a eles, pode dizer-se descobridor do Mundo. Foram pessoas que, com os seus conhecimentos e ousadia, se sacrificaram por um bem maior.
Presentemente, são poucas as pessoas dispostas a ultrapassar o seu espaço interior e projectarem as suas capacidades para um bem colectivo. Todos tentamos superar-nos, estudando, esforçando-nos, criando, procurando. Mas tudo isto para um bem individual, talvez na esperança de um dia podermos contribuir para um bem colectivo. E isso, sim, é o que nos transformaria em heróis.
Beatriz Ropio, 12.º A

Encontra-se num gene, mais propriamente no DNA, a informação genética de cada indivíduo, que o caracteriza física e psicologicamente. O espírito empreendedor é, pois, uma característica única e que está ao alcance de muito poucos, os chamados heróis.
Para comprovar o ponto anterior, dou o exemplo dos navegadores portugueses, como Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral que, impulsionados por um espírito aventureiro e guerreiro, propuseram-se descobrir novos mundos, mundos até aí desconhecidos. Contra o mar revolto, os ventos soprantes e as forças personificadas pelos deuses os feitos alcançados pelos portugueses tornaram-se uma proeza heróica.
Actualmente, possuindo o tal espírito empreendedor, irei falar de mim próprio. É claro que não sou um típico herói daqueles que usam capa preta e possuem uma forte força física. No entanto, possuo uma alma corajosa, que não desiste à primeira, nem à segunda, pois sei, tal como os navegadores, que existe algo novo por explorar. Em particular na escola, tenho o objectivo de ter melhores notas, mesmo quando um mau teste nos bate à porta, não deito a toalha ao chão e esforço-me para que na oportunidade seguinte possa ter mais sorte. É necessária força de vontade, a tal alma lusitana, que desde os nossos antepassados nos tem enchido de orgulho e me faz considerar-me, à minha maneira, um herói.
Procuro mais e melhor, acreditando sempre que o futuro será sorridente.
Filipe Margaço, 12.º A

Assim como n' Os Lusíadas é retratada a enorme coragem e espírito aventureiro dos portugueses antes de partirem por mares desconhecidos, a fim de expandirem o seu território e difundirem a sua fé, também muitos de nós podemos ser considerados heróis, nem seja apenas por nós próprios.
Como é óbvio, quando me refiro a simples pessoas como eu e outros como eu, denominando-nos de heróis, estou a referir-me a pequenas acções que podem ser heróicas pois atingimos os nossos objectivos, sendo que para isso temos que ultrapassar alguns obstáculos.
Por exemplo, nós, enquanto alunos do 12.º ano, já ultrapassámos a escolaridade obrigatória. No entanto, se há alguns colegas nossos que já deram por terminada a sua vida académica, nós estamos a tentar superar-nos, tendo por objectivo ingressar na universidade no próximo ano lectivo, para podermos ter a melhor vida futura possível.
Esta, como outras opções que tomamos, é para mim heróica porque exige sacrifício, esforço e alguma aventura de quem parte para o desconhecido com a vontade ou ambição de atingir os seus objectivos.
Somos heróicos, também, sempre que nos sacrificamos pelo bem-estar dos outros.
Temos, neste caso, o exemplo dos voluntários que, ou por pertencerem a associações de ajuda humanitária, ou por serem cidadãos interessados em ajudar os outros, partem do conforto de suas casas para locais longínquos, de grande instabilidade a todos os níveis e com grandes carências de cuidados básicos para ajudar quem mais precisa. Para tomar uma decisão destas é necessária confiança, coragem, boa vontade e determinação para viver situações complicadas.
Por que é que será que estas pessoas não são destacadas publicamente como heróicas, e outras, por atitudes sem benefício para ninguém são destacadas?

Sofia Raimundo, 12.º A